DACT – Análise Digital da Transmissão do Canto
Resumo
Uma técnica comum para evocar a Idade Média nos meios de comunicação populares é através do som de freiras ou monges a cantar o cantochão latino (Haines 2013), mais comumente descrito como «Canto Gregoriano». No entanto, o cantochão continuou a ser praticado na Igreja Ocidental a par de outros estilos musicais durante mil anos, até ao século XX, e mantém-se ainda hoje em algumas tradições. O próprio repertório desenvolveu-se e mudou de muitas formas devido às reformas religiosas e através das viagens internacionais e da actividade missionária que acompanharam a expansão colonial europeia. Na rede de Análise Digital da Transmissão do Canto (DACT), iremos analisar a circulação geográfica dos livros de canto litúrgico, a transformação das melodias e dos textos, e a criação de novos artefactos litúrgicos em latim e em línguas vernáculas. Os livros de liturgia acompanharam os europeus, e a música que contêm foi entrelaçada na prática devocional dos colonos católicos e utilizada como ferramenta por padres, freiras e monges na sua tentativa de cristianizar populações fora da Europa Ocidental. As comunidades indígenas trouxeram as suas próprias línguas, sistemas de escrita (por exemplo, o Mi’kmaq) e práticas religiosas e musicais para estes repertórios. O cantochão ocidental serve, assim, como testemunho fundamental da influência duradoura da Igreja medieval nas sociedades de todo o mundo.
Mais informações: https://dact-chant.ca/partners.html
Elsa De Luca é coordenadora do subprojecto «MEI e DACT» (Abril 2025 – Março 2028).